“Por uma Geografia Antirracista e seus Desafios”
A primeira edição do ERAGE representa os envidados esforços para se reunir: universidade, educação básica e sociedade civil, para trazer para o centro do debate o racismo estrutural desfavorável aos povos indígenas e afro-brasileiros, que tem se perpetuado desde o Brasil Colônia, por meio de dispositivos sociais na ciência e na educação com desumanização e invisibilidade de corpos indígenas e negros. De base escravocrata, a educação jesuíta no Brasil foi fio condutor na produção desigual socioespacial, que contribuiu na reprodução de códigos culturais para a manutenção do privilégio da branquitude em detrimento ao reconhecimento humano a indígenas e negros durante a Colônia brasileira, e permaneceu durante o Brasil Império e está ainda hoje em vigor no Brasil republicano mesmo depois da Constituição Cidadã de 1988. É estrutural a desigualdade entre brancos, indígenas e negros.
Após pelo menos cinco séculos da máquina colonial de desumanização de corpos indígenas e negros, a Universidade Federal Fluminense, campus Campos dos Goytacazes, cidade cuja presença indígena está apenas no topônimo, pela primeira vez o Programa de Pós-Graduação em Geografia juntamente com a graduação licenciatura e bacharel em Geografia assumem o desafio para promover o primeiro encontro para debater o racismo estrutural e pensar estratégias antirracistas através da educação juntamente com a sociedade civil. O evento acolhe também quatro eventos do departamento de Geografia: 1. V Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Geografia; 2. IX Semana de Geografia; 3. I Encontro de Práticas Pedagógicas de Educação Básica Antirracista na Perspectiva da Lei 10639/03 das Regiões do Norte e Noroeste Fluminense e da Zona da Mata Mineira; e, 4. I Seminário de Educação Multicultural: Por uma Geografia Antirracista e seus Desafios.
O ERAGE nasceu do desejo do inconsciente de professores e alunos, pretos, pardos e brancos, de quatro instituições de ensino superior e periféricas, imbuídos para a transformação do tempo-espaço para construir uma sociedade antirracista em que busca a igualdade social. Para promover esse encontro a escala regional foi o dispositivo estratégico determinante para se criar a integração regional da periferia, baixadas e interior do Estado do Rio de Janeiro com a Zona da Mata Mineira interior do Estado de Minas Gerais. Nesse pleito regional foram reunidas as instituições de ensino superior e respectivos cursos: curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, UERJ-Caxias; curso de pedagogia do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert – ISEPAM e Programa de Pós-Graduação em Geografia, mais a graduação de Licenciatura e Bacharel em Geografia, da UFF, ambas as instituições em Campos dos Goytacazes; e na divisa do Estado do Rio com Minas Gerais, na Zona da Mata Mineira, curso de graduação em Geografia em Carangola – UEMG.
Como Angela Davis afirma: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista”. “É necessário ser antirracista”. É neste sentido de inconformidade com o racismo, que durante quatro dias, na cidade de Campos dos Goytacazes, no interior do Estado do Rio de Janeiro, será realizado o primeiro ERAGE que tem como propósito, promover o debate racial sobre o recorte da Geografia e da Educação e áreas afins, para pensar e propor mudanças estruturais que levem à igualdade de oportunidade para indígenas e negros, e que, pelas vias institucionais do Estado de Direito e democrático, se possa construir uma sociedade com justiça distributiva e equidade. Assim, o evento está estruturado para:
Promover o encontro de pesquisadores e pesquisadoras das universidades públicas das cinco regiões brasileiras, estudantes de doutorado, mestrado, graduação, representantes de religiões de matriz afro-brasileira, Babolorixá, pessoa com deficiência (PcD), LGBTQIAPNA+ para debater o efeito deletério do racismo na sociedade hoje.